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Com a COP30 se encaminhando para a reta final das negociações, as luzes dos auditórios brilham, os microfones se abrem para discursos e as câmeras registram reuniões de chefes de Estado. Mas, enquanto isso, do outro lado, quase ninguém percebe a grande parte das pessoas que mantém o evento funcionando. É justamente essa engrenagem invisível, uma força de trabalho multidisciplinar e, muitas vezes, anônima, que trabalha sem parar para sustentar o encontro climático mais importante do mundo.
A COP30, realizada em Belém, já é a segunda maior conferência climática da história das Nações Unidas, com 56.118 participantes inscritos, segundo análise do site britânico Carbon Brief. A COP28, em Dubai, permanece no topo, com mais de 97 mil inscritos.
Desse total, 13.499 são profissionais diretamente envolvidos na operação, funcionários da ONU, equipes de segurança, trabalhadores terceirizados e voluntários que formam a espinha dorsal logística do evento. Os dados divulgados pela presidência da COP ainda são provisórios. O Brasil aparece com a maior delegação, somando 3.805 participantes.
Nas entrelinhas desses números se revelam corredores movimentados, zonas de segurança operando 24 horas, serviços de tradução simultânea, equipes de limpeza, manutenção, atendimento médico, brigadistas, motoristas, diaristas, profissionais de TI, acessibilidade, todos colaborando para que cada peça deste gigantesco mosaico funcione. Cada pessoa cumpre uma função essencial, muitas vezes longe dos holofotes, mas absolutamente indispensável.
As pessoas por trás do palco
Crysssia, voluntária na chamada “Área D”, na Zona Azul (Blue Zone), é uma dessas vozes. “O meu trabalho é passar informações dentro da nossa área, para onde fica a plenária, onde fica as Meet & Lunch” [ponto de encontro e almoço], ela diz. “Está sendo uma experiência muito boa. Já conheci várias pessoas, tanto de outros países quanto do Brasil. E eu pretendo levar essa experiência mais adiante no futuro. Quem sabe a gente não consiga uma bolsa para sair para fora do país, para ter mais experiências”, acrescentou.

Para mostrar como a rotina dos bastidores pode ser tão diplomática quanto qualquer negociação, conhecemos Elza Maria Pena, que trabalha com serviços gerais desde o primeiro dia da COP. Elza conta que é diarista há muitos anos e que vê a COP como uma grande oportunidade profissional. “É uma oportunidade única e estou gostando muito, muito.” Ela trabalha em equipe, de manhã cedo até o fim da tarde, dividindo tarefas para que a carga não pese demais.

Também há quem atue em áreas altamente técnicas e sensíveis. Lianne Borja, assessora na equipe de acessibilidade da COP, descreve seu papel com orgulho. “A gente está atento às pessoas que possam precisar de cadeiras de rodas, abafadores, cordões de girassol, óculos para pessoas fotossensíveis e, às vezes, [a gente] acompanha quem tem baixa visão”, explica. “Para mim, de modo pessoal, eu tô achando fantástico ter a oportunidade de falar com pessoas do mundo inteiro, de exercitar o inglês, espanhol, francês e até um pouco de mandarim que estou aprendendo”, acrescenta.
Entre os profissionais de segurança, brigadistas e primeiros socorros, encontramos Jaqueline Carvalho, chefe de equipe dos bombeiros civis da COP30. “Minha função é prevenir acidentes, orientar pessoas em situação de risco, lidar com parte elétrica, distribuir nossos instrutores para que o evento aconteça da melhor forma possível”, explica. Embora já tenha participado de outros eventos, ela admite que lidar com uma conferência internacional desse porte é uma novidade, e um desafio.

Já na logística, a figura de Jesus Maia, voluntário, mostra a amplitude de tarefas que não aparecem com frequência nos telejornais. “A gente teve uma capacitação que durou seis meses, com módulos sobre sustentabilidade, meio ambiente, os temas centrais da COP”, compartilha. “Sendo um homem amazônico, acho muito importante esse evento estar acontecendo aqui, discutir nossa realidade enquanto quem vive junto da Amazônia todo dia”, disse.
No seu dia a dia no evento, ele ronda os bastidores para garantir abastecimento de água, limpeza dos banheiros, manutenção dos pavilhões e, quando possível, dá suporte para outras áreas que precisam de reforço.

Na coordenação da Força Nacional do SUS aqui de Belém, está Paulo Campos, que vê a COP não só como uma conferência, mas como um legado. “Conseguimos mobilizar cerca de 200 profissionais em várias frentes: equipe de campo, volantes, pronto-socorro, hospital de campanha”, diz ele.
Essas pessoas são a infraestrutura humana que torna real aquilo que, para muitos, é só imagem na televisão. Sem elas, não haveria COP.
A cobertura especial do Amazônia Vox na COP30 tem o apoio da Fundação Itaú, Roche e Tereos.
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